Nesta vida, nunca chegaremos ao ponto em que estejamos perfeitamente satisfeitos conosco mesmos. Na verdade, quanto mais nos tornarmos semelhantes a Jesus, mais conscientes nos tornaremos de nossas muitas e constantes imperfeições.
Bill Crowder
Em Romanos 8:4, Paulo apresentou aos seus leitores a ideia de viver seguindo o Espírito em vez de seguir a nossa natureza pecaminosa. Este é um conceito vital para compreender. Vejamos agora o que Paulo quis dizer com seguir o Espírito.
Concentre-se no que o Espírito deseja
É isso que significa “seguir o Espírito”. É estar em sintonia com o Espírito — seguir a sua liderança e permanecer sob o seu controle. Se você é um crente, ele já está em você com o propósito de guiá-lo e controlá-lo amorosamente. Paulo escreveu:
Aqueles que são dominados pela natureza humana pensam em coisas da natureza humana, mas os que são controlados pelo Espírito pensam em coisas que agradam o Espírito. Portanto, permitir que a natureza humana controle a mente resulta em morte, mas permitir que o Espírito controle a mente resulta em vida e paz. Pois a mentalidade da natureza humana é sempre inimiga de Deus. Nunca obedeceu às leis de Deus, e nunca obedecerá. Por isso aqueles que ainda estão sob o domínio de sua natureza humana não podem agradar a Deus. Vocês, porém, não são controlados pela natureza humana, mas pelo Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, a ele não pertence. (Romanos 8:5-9).
Segundo Paulo, então, cada pessoa está sob o controle do Espírito ou sob o controle da velha natureza. Isto é, temos duas opções, ou de andarmos no caminho que leva à vida e à paz ou no caminho que leva à morte. Andar em sintonia com o Espírito, portanto, significa viver com Ele como Aquele que está no controle de nossas vidas.
Isso levanta um problema. Muitos de nós que dizemos ser de Cristo temos um estilo de vida que não indica estarmos sob o controle do Espírito Santo. Se recebemos Jesus como nosso Salvador, nossos corpos se tornam templos do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). Somos gratos por sermos libertos da tirania do pecado e da morte. No entanto, continuamos a ter problemas, inclusive dentro de nós mesmos. Alguns dos nossos velhos hábitos ainda nos impedem de ser o que sabemos que devemos ser. Então, como vivemos sob o controle do Espírito? Como paramos de fazer o que não queremos fazer?
Renda-se conscientemente ao Espírito
Paulo abordou essa questão muitas vezes. Repetidamente, ele enfatizou a questão de nos entregarmos totalmente a Deus. Ele fez isso quando nos incentivou a nos considerarmos mortos para o nosso antigo modo de vida e a oferecermos cada parte de nossas vidas a Deus (Romanos 6:11-14). Ele disse que devemos nos lembrar de que estamos sob uma nova administração, nova gestão. Antes éramos “escravos do pecado”, mas fomos libertos e agora somos “escravos de uma vida justa” (Romanos 6:15-23). Quando Paulo disse aos efésios para não se embriagarem com vinho, mas para “se encherem do Espírito Santo” (Efésios 5:18), ele repetiu o mesmo tema: Rendam-se ao Espírito Santo; consciente e continuamente, entreguem-Lhe o controle de todas as áreas da vida. Ao fazermos isso, o fruto do Espírito se tornará evidente em nós. Nossas vidas serão marcadas por “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.” (Gálatas 5:22-23).
Nesta vida, jamais chegaremos ao ponto em que estejamos perfeitamente satisfeitos conosco mesmos. De fato, quanto mais crescermos em semelhança a Jesus, mais conscientes nos tornaremos de nossas muitas e constantes imperfeições. Mas nosso caminho imperfeito culminará em vitória. Nossos corpos, meras “tendas” que tantas vezes falham, um dia serão substituídos por corpos glorificados, completamente sob o controle do Espírito. Paulo disse:
Uma vez que Cristo habita em vocês, embora o corpo morra por causa do pecado, o Espírito lhes dá vida porque vocês foram declarados justos diante de Deus. E, se o Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vocês, o Deus que ressuscitou Cristo Jesus dos mortos dará vida a seu corpo mortal, por meio desse mesmo Espírito que habita em vocês (Romanos 8:10-11).
Viver em sintonia com o Espírito é caminhar no caminho da vida e da paz, e isto temporariamente na Terra, para sempre no céu.
Deus nos ajudará a superar os fracassos que vivenciamos todos os dias?
Conscientes de nossas fraquezas, inconsistências e repetidos fracassos, percebemos que muitas vezes somos nossos piores inimigos. Desejamos a vontade de Deus, mas também estamos cheios de desejos egoístas. Nos perguntamos como Deus nos protegerá de nós mesmos. Paulo respondeu a essa pergunta assegurando-nos que Deus intervirá e cuidará de nós. Na pessoa do Espírito Santo, ele nos ajudará em nossas orações. E como nosso Pai celestial, ele intervirá nas circunstâncias de nossas vidas.
Ele nos ajudará em nossas orações
Uma das áreas onde nossa fraqueza se manifesta é em nossa vida de oração. Mesmo quando oramos, somos atormentados por emoções conflitantes. Pensamentos egoístas, às vezes impuros, passam por nossas mentes enquanto conversamos com Deus. Às vezes, não sabemos o que pedir. Às vezes, estamos tão doentes ou exaustos que não conseguimos fazer mais do que dizer: “Senhor, por favor, me ajude”.
Como é reconfortante saber que Deus nos compreende e que o seu Espírito garante que as nossas orações sejam aceitáveis e eficazes. Paulo escreveu: “E o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos orar segundo a vontade de Deus, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos que não podem ser expressos em palavras. E o Pai, que conhece cada coração, sabe quais são as intenções do Espírito, pois o Espírito intercede por nós, o povo santo, segundo a vontade de Deus” (Romanos 8:26-27). É o Espírito Santo que geme dentro de nós, e esses gemidos aparentemente não têm palavras. Por meio desses gemidos, enquanto trabalha para nos purificar em preparação para a eternidade, o Espírito Santo purifica e revisa os pensamentos e desejos dos nossos corações e os apresenta a Deus. O Pai, que conhece perfeitamente os nossos corações, recebe essas orações revisadas e as responde. Paulo talvez tivesse em mente o ministério intercessório do Espírito Santo quando escreveu a doxologia: “Toda a glória seja a Deus que, por seu grandioso poder que atua em nós, é capaz de realizar infinitamente mais do que poderíamos pedir ou imaginar” (Efésios 3:20).
Ele trabalhará em todas as nossas circunstâncias para o nosso bem
Mesmo que cometamos erros e falhas, Deus intervirá em nossas circunstâncias para garantir que seus propósitos para nós sejam realizados. Paulo escreveu:
E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito. Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho, a fim de que ele fosse o primeiro entre muitos irmãos. Depois de predestiná-los ele os chamou, e depois de chamá-los, os declarou justos, e depois de declará-los justos, lhes deu sua glória (Romanos 8:28-30).
Nestes versículos, os pensamentos de Paulo abrangem toda a eternidade, isto é, desde a eternidade antes do início do tempo e do universo até a eternidade depois do fim do tempo e de todas as coisas.
Antes de Deus criar o cosmos, Ele planejou a nossa existência. Vivemos como portadores da sua imagem porque Ele escolheu nos fazer assim. Somos salvos dos nossos pecados e destinados à glória porque Deus nos amou desde antes da fundação do mundo e nos escolheu como seu povo especial (Efésios 1:4-5). A vontade eterna de Deus é a razão da nossa existência e a base da nossa salvação. Ele não permitirá que nada impeça a sua vontade de ser cumprida — nem as maquinações do diabo, nem as estratégias dos inimigos de Deus, nem mesmo as falhas dos seus próprios filhos.
Portanto, Romanos 8:28 é verdade! Deus intervirá quando necessário para garantir que seus propósitos para nós sejam realizados. Em todas as circunstâncias da vida, Deus deseja que nos tornemos mais semelhantes a Cristo a cada dia, em preparação para o dia em que seremos como Ele. Essa realidade foi expressa pelo apóstolo João: “Amados, já somos filhos de Deus, mas ele ainda não nos mostrou o que seremos quando Cristo vier. Sabemos, porém, que seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele realmente é” (1 João 3:2).