Existe um fio invisível que atravessa as Escrituras. Ele aparece em momentos inesperados, rompendo o silêncio de uma época em que a voz feminina pouco ecoava nos registros oficiais. Esse fio é feito de nomes próprios, de histórias reais, de mulheres que existiram, respiraram, sofreram e foram acolhidas. Quando abrimos o primeiro capítulo do Novo Testamento, encontramos algo intrigante. Na genealogia de Jesus, Mateus inclui mulheres: Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba. Numa cultura patriarcal onde linhagens eram traçadas apenas por homens, isso não é detalhe. É declaração.
O que Jesus fez de diferente
O mundo antigo não era gentil com as mulheres. Na Palestina do primeiro século, um rabino não falava com mulheres em público. Não as considerava dignas do conhecimento da Torá. Jesus fez exatamente o oposto.
Ele conversou com uma samaritana junto a um poço, algo que chocou até Seus discípulos. Falou sobre água viva, sobre adoração, sobre a vida dela. Tanto que aquela mulher abandonou o cântaro e correu à cidade para contar a todos o que tinha experimentado.
Ele permitiu que uma mulher conhecida como pecadora ungisse seus pés com perfume caríssimo, enquanto os mestres da lei o observavam com desprezo. E a defendeu: “Ela fez uma coisa bela”. Quando uma mulher hemorrágica, impura segundo a lei, tocou Suas vestes no meio da multidão, Jesus poderia tê-la ignorado. Mas parou. Olhou. E a chamou de “filha” a única personagem nos evangelhos a receber esse tratamento diretamente dele.
A mulher pega em adultério foi arrastada até Jesus, pronta para ser apedrejada. Mas Ele se curvou, escreveu na terra e disse: “Quem nunca pecou, atire a primeira pedra”. Um a um, eles foram embora.
Então Jesus fez algo que ninguém esperava. Não a condenou, mas também não banalizou o erro. “Vá e não peque mais.” Ele devolveu a ela não apenas a vida, mas a dignidade. Olhou para aquela mulher e viu alguém capaz de recomeçar. Há um padrão aqui. Jesus via mulheres onde a sociedade via invisíveis. Em Lucas 8, lemos que várias mulheres caminhavam com Ele e os discípulos, sustentando o ministério com seus bens. Elas não estavam na plateia, estavam na estrada, ao lado dele.
Mas talvez o gesto mais radical esteja no final da história. Quando Jesus ressuscitou, a primeira pessoa a vê-lo não foi Pedro, nem João. Foi Maria Madalena, uma mulher de quem Ele havia expulsado sete demônios.
Naquele contexto, o testemunho de uma mulher não tinha valor legal. Não podia ser usado em tribunais. E ainda assim, Jesus escolheu justamente uma mulher para ser a primeira testemunha da maior notícia da história. “Vá e diga a meus irmãos”, ordenou Ele. Foi a uma mulher que Jesus confiou o anúncio. Foi a ela que deu a honra de ser a primeira pregadora da ressurreição.
Todas essas mulheres; a samaritana, a pecadora, a hemorrágica, a mulher pega em adultério, Maria Madalena, nos deixaram um legado. Elas nos mostraram que, aos olhos de Jesus, não existe invisibilidade. Elas foram vistas. Chamadas pelo nome. Restauradas em sua dignidade. E convidadas a participar ativamente da história da redenção.
E aqui está o que mais importa: isso não aconteceu porque era um dia especial. Aconteceu porque Ele sempre olha assim. Muitas vezes, a atenção se volta para datas específicas, e elas são importantes para lembrarmos, celebrarmos, honrarmos. Mas o que queremos compartilhar com você neste 8 de março é que o olhar de Jesus sobre as mulheres não começou hoje nem se limita a um calendário. Ele é contínuo. Ele é fiel. Ele é pessoal.
Assim como Tamar, Raabe, Rute e tantas outras foram chamadas pelo nome, você também é. Ele te vê, te conhece e te inclui em Seu propósito. Não porque hoje é 8 de março. Mas porque, desde o início, Ele escreveu histórias de mulheres na grande história da redenção.
Feliz Dia Internacional da Mulher!